AMOR SEM PAZ
quem me dera poder não precisar da sua quota de amor
dos seus beijos planejados numa arquitetura clássica
obsoleta
funcionando como paleativo de uma convivência falida
depois desses anos todos de maternidade e dor
quem me dera encontrar uma saída
algo que trouxesse um pouco mais de vida
antes que eu me fosse pelo túnel da escuridão
sentir o prazer de gozar sem culpa
como uma adolescente nua, lânguida,
jogada, puxada pelos cabelos, incendiada
e torturada pelos desassossegos carnais
quem me dera...
em vez disso, eu paro no meio
rejeito a mesmice do certo
canso de fazer nada
de me sentir segura
dentre emoções parcas e sem sal
não quero esse amor
bêbado de tão perdido
triste e doente
da velhice do já sabido
quero o calor do perigo
o sabor do proibido
um amor sem previsão
que se renove a cada toque
óbvio e inexato
cheio de paixão...
que sem isso,
me escondo na solidão.
Karla Sabah
21ago2009
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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